O que é EDUCAÇÃO FÍSICA?

Viabilizar (à aluna / ao aluno) a aprendizagem referente a conhecimentos específicos sobre o movimento humano que permita-lhe, individual e intencionalmente, (1) a utilização de potencialidades para movimentar-se, genérica ou especificamente, de forma habilidosa e, em correspondência, (2) a capacitação para, em relação ao meio em que vive, agir (interagir, adaptar-se, transformar ...), na busca de benefícios para a qualidade de vida.
Mariz de Oliveira, G. Da educação física a Cinesiologia Humana. MOVIMENTAR-SE, ano 3, n.2, 2006

domingo, 14 de março de 2010

Ser sedentário é não praticar exercícios?

Fonte: Med Plan

Mesmo sendo um assunto bastante discutido, pouco se sabe sobre o Sedentarismo, que está relacionado ao surgimento de diversas doenças, como a Obesidade.


Nesta semana foi comemorado o Dia Mundial de Combate ao Sedentarismo, assunto discutido nesta semana pela enfermeira Rochelle Rufino, coordenadora do Programa Mais por Você do Medplan, na visita que fez à empresa Nacional Gás Butano. É também o tema do Salão de Humor, que começa no dia 20 de maio.

Mesmo sendo uma temática tão presente no dia a dia das pessoas, ainda falta informação sobre o Sedentarismo, como afirma a enfermeira Rochelle Rufino. “Quando se fala no assunto, as pessoas pensam logo que sedentário é quem não pratica exercícios físicos. Mas não, usar muito o controle remoto, andar menos e usar mais o carro, deixar de praticar atividades domésticas, tudo isso contribui para o sedentarismo”, informa.

Portanto, mesmo quem pratica atividades físicas deve estar atento, já que a vida moderna e a evolução da tecnologia impulsionam o homem para uma substituição das atividades ocupacionais que demandam gasto energético por facilidades automatizadas. Sedentarismo, portanto, não é apenas a falta, mas também a diminuição da atividade física.

E o desuso dos sistemas funcionais do organismo geram, além da atrofia das fibras musculares e da perda de flexibilidade articular, o comprometimento funcional de vários órgãos. São várias as doenças que têm como relação direta o sedentarismo, como aponta a enfermeira Rochelle Rufino. Hipertensão arterial, diabetes, obesidade, ansiedade, aumento do colesterol, infarto do miocárdio são alguns dos exemplos das doenças às quais o indivíduo sedentário se expõe.

O sedentarismo é considerado ainda o principal fator de risco para a morte súbita, estando na maioria das vezes associado direta ou indiretamente às causas ou ao agravamento da grande maioria das doenças. “A cada hora que uma pessoa passa em frente à televisão, aumentam mais os riscos de ser vítima de morte súbita”, informa a enfermeira.

Diante de tantos problemas causados pelo sedentarismo, a melhor atitude a se tomar é evita-lo. Abaixo, veja algumas propostas que podem ser adotadas de acordo com as possibilidades de cada indivíduo:

1. Praticar atividades esportivas como andar, correr, pedalar, nadar, fazer ginástica, entre outros exercícios. Recomenda-se a realização de exercícios físicos de intensidade moderada durante 40 a 60 minutos de 3 a 5 vezes por semana;

2. Exercer as atividades físicas necessárias à vida cotidiana de maneira consciente.

por Pollyana Rocha

fonte: www.educacaofisica.com.br

Eletrocardiograma pode evitar a morte súbita de atletas

Fonte: Folha Online


Eles são atletas jovens, fortes e competitivos, e estão em sua melhor condição física. Mesmo assim, cerca de 90 desses jovens morrem todos os anos, normalmente durante o período de competições, vítimas de parada cardíaca.

Mas um novo estudo sugere que existe uma maneira eficiente de diminuir drasticamente esta taxa de mortalidade: submeter os atletas a eletrocardiogramas (ECGs).

Uma pesquisa anterior, publicada em 2006, na revista da Associação Médica Americana ("Jama"), já havia confirmado a importância do rastreamento por eletrocardiograma. Entretanto, a aplicação deste programa de exames tem gerado polêmica nos Estados Unidos.

Durante quase 30 anos, o Ministério da Saúde da Itália exigiu o exame em atletas de competições e mapeou os resultados. Através desses dados, a pesquisa concluiu que o eletrocardiograma reduziu em 89% as mortes por problemas cardíacos em atletas de 14 a 35 anos, uma taxa semelhante a de jovens da mesma idade que não eram atletas.

O sucesso do método italiano levou a Sociedade Europeia de Cardiologia e o Comitê Olímpico Internacional a recomendar o ECG a todos os atletas nas competições. Porém, a Associação Americana de Cardiologia (AHA, na sigla em inglês) recomenda apenas um histórico médico e um exame físico.

Muito embora a utilidade do exame preventivo para algumas doenças tenha sido amplamente discutida, o principal argumento contra os eletrocardiogramas em jovens atletas não é sua eficácia, e sim o alto custo em relação ao número de mortes que podem ser evitadas.

Valores

Este argumento foi questionado esta semana em uma análise publicada na revista científica "The Annals of Internal Medicine".

Com estimativas colhidas dos dados italianos, os autores deste novo estudo criaram uma simulação por computador de como os atletas americanos entre 14 e 22 anos seriam afetados pelo exame.

Eles descobriram que, em comparação com a ausência de qualquer exame geral, o rastreamento feito com um histórico médico e um exame físico salva somente 0,56 vidas por ano em cada mil atletas e custa cerca de US$ 111 por pessoa.

Porém, o acréscimo de um ECG salvaria 2,06 mais vidas em cada mil atletas, a um custo adicional de US$ 89 por atleta, incluindo todos os exames secundários e o tratamento. Isso faz com que o custo do ECG seja de US$ 42.900 por vida salva por ano, em média.

Este número se compara à realização de uma diálise de fígado (de US$ 20 mil a US$ 80 mil por vida salva por ano).

Polêmica

Especialistas ficaram impressionados com a pesquisa. "É um dos melhores argumentos que já vi a respeito do custo-benefício dos exames de ECG", afirmou o médico Robert J. Myerburg, cardiologista e professor de medicina da Universidade de Miami.

Mas alguns profissionais ainda estão em dúvida sobre a implantação do exame em larga escala nos Estados Unidos. "A maior parte dos estudos feitos com atletas relata que 90% das fatalidades cardíacas ocorrem em homens", afirma o médico Bernard R. Chaitman, professor de medicina da Universidade de St. Louis. "Portanto, o rastreamento de uma população inteira de atletas americanos não traria um bom custo-benefício; uma abordagem mais seletiva faria mais sentido."

O médico Euan A. Ashley, autor sênior do estudo, explica que, em qualquer que seja o caso, o fim da história não se resume ao custo-benefício. Ele afirma que, "mesmo que algo possua um bom custo-benefício, não significa que há dinheiro disponível para financiá-lo."

Um editorial publicado junto com o estudo observou que, entre outros problemas, a realização do exame somente com atletas poderia ser considerada discriminação. Assim, qualquer programa de exames enfrentaria o desafio de oferecer eletrocardiogramas para os 75 milhões de jovens com menos de 18 anos.

Se o esforço e o dinheiro gastos com o exame são válidos é uma questão puramente pessoal, como foi para as famílias de dois atletas adolescentes de Nova Jersey, mortos no ano passado por cardiomiopatia hipertrófica, uma condição que muito provavelmente seria descoberta se eles tivessem se submetido a um eletrocardiograma. Suas mortes motivaram pedidos de aprovação do exame cardiovascular.

A Associação Americana de Cardiologia, embora não se oponha ao rastreamento, não concorda com sua obrigatoriedade.

Para Ashley, professor assistente de medicina em Stanford, essa é uma posição sensata: "O que fizemos foi enquadrar os dados dos Estados Unidos utilizando as melhores estimativas dos efeitos na Itália", explica ele. "Esta é a resposta para a pergunta sobre o custo-benefício. Porém, grupos individuais e locais, escolas e faculdades que tenham em mãos essa informação podem tomar uma decisão racional sobre o uso dos eletrocardiogramas."

NICHOLAS BAKALAR
do New York Times


fonte: www.educacaofisica.com.br

Novos conceitos sobre exercícios e envelhecimento

Fonte: Agencia Fapesp

Agência FAPESP – O tecido adiposo não é visto por especialistas apenas como um simples reservatório energético, mas também como um órgão endócrino, uma vez que secreta um número elevado de substâncias metabolicamente importantes.


Um novo estudo concluiu que a prática de exercícios físicos, mesmo que moderada, pode não só melhorar a composição corporal no processo de envelhecimento como também reduzir os efeitos negativos relacionados à ação endócrina do tecido adiposo.

Coordenado pela professora Maria Cristina das Neves Borges Silva, na Universidade Cruzeiro do Sul, a pesquisa acompanhou 54 mulheres na capital paulista, entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010. O trabalho teve apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

As voluntárias foram divididas em quatro grupos. Um com mulheres na faixa de 20 anos de idade e outro na faixa de pouco mais de 50 anos, todas sedentárias. Os outros dois grupos também eram formados por mulheres jovens e de meia-idade de faixas etárias similares, só que todas praticantes de atividades físicas de baixa intensidade.

Por meio das diferenças em idade, a pesquisadora buscou avaliar os efeitos do tempo sobre o corpo. Ela destaca que o envelhecimento resulta em uma série de alterações hormonais, além de um aumento no volume do tecido adiposo e nas concentrações de substâncias como as citocinas, consideradas pró-inflamatórias, por mediarem processos de inflamação no organismo.

“Em idosos, as inflamações são causadoras de diversas patologias crônicas”, disse Maria Cristina à Agência FAPESP. Por esse motivo, a atividade endócrina do tecido adiposo tem relação com a qualidade de vida dos indivíduos idosos.

No estudo, exames de sangue periódicos indicaram quais substâncias tinham concentrações alteradas pelo envelhecimento ou por exercícios físicos e quais se mantiveram independentes da influência desses fatores.

O grupo de meia-idade com treinamento físico apresentou redução no colesterol, enquanto o grupo sedentário de idade equivalente sofreu aumento na taxa de glicose.

A leptina, relacionada ao controle da massa corpórea, também foi encontrada em quantidades menores nos grupos que se exercitavam. “Quanto maior a massa corpórea, maior a concentração desse hormônio”, disse Maria Cristina. Mais de 95% dessa substância encontra-se no tecido adiposo.

Sedentarismo e glicose

Além dos exames de sangue, o grupo de pesquisa colheu outros indicadores de saúde, como medições das circunferências de quadril, cintura e abdômen, além do índice de massa corporal (IMC) e da massa corporal gorda (MCG).

Para as mulheres mais velhas, os impactos da falta de exercício foram mais visíveis. O grupo apresentou aumentos de IMC, de MCG e das três medidas de circunferência.

Por outro lado, o grupo de mulheres de mesma faixa etária que se exercitou durante a pesquisa apresentou redução desses mesmos índices. “Foi interessante notar essas mudanças mesmo quando a atividade física se restringiu a apenas duas horas por semana”, afirmou Maria Cristina.

O trabalho também identificou substâncias que não sofreram alterações motivadas pela idade nem pelos exercícios físicos. É o caso da adiponectina, que entre outras funções é responsável pela regulação da glicemia. O fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), um dos principais mediadores da inflamação da pele e das mucosas, e a interleucina-6 (IL-6), que possui um importante papel na regulação no sistema imunológico, também não se alteraram.

“A pesquisa concluiu que o treinamento regular de baixa intensidade tem um papel regulatório importante sobre o metabolismo energético e sobre alguns marcadores inflamatórios e metabólicos”, disse Maria Cristina. O que colocaria a atividade física como um importante fator de influência sobre a saúde dos idosos, especialmente em relação às patologias e problemas ocasionados pelas secreções hormonais.

Segundo a pesquisadora, os resultados da pesquisa se juntam aos de trabalhos anteriores que verificaram outros benefícios da atividade esportiva no envelhecimento, como a diminuição da mortalidade em geral, a redução da massa corporal por promover um balanço energético negativo, a melhora da composição corporal, a utilização de glicose e do perfil lipídico, o aumento da capacidade aeróbia e a diminuição da resistência vascular.

Por Fábio Reynol

fonte: www.educacaofisica.com.br